terça-feira, 29 de maio de 2007
Fumar mata!
O que Mata:
Maus hospitais,más cantinas escolares,maus governos,tráfico de armas,tráfico de diamantes,medicamentos caros,a sida,a fome,a sede,a injustiça,a corrupção,a sinistralidade rodoviária,a desigualdade social,a religião!
O tabaco mata e então?
OH YES!
Foto e texto by Vitor Ramos
sexta-feira, 25 de maio de 2007
Marques Mendes! Cromo Raro!
Foto e texto by vitor Ramos
Dou por mim a ouvir um papagaio meia-leca, todo ofendido a exigir um pedido de desculpas ao ministro Mário Lino,(aliás outro papagaio).
Pois bem,posso falar pois não pertenço a qualquer ramo politico, classe que aliás acho vergonhosa e sem brio!
Assim sendo, o dito papagaio que pertence ao PSD, partido que sempre apoiou o projecto
do Aeroporto e o defendeu nas variadas instâncias Europeias,vem agora dar uma de dama ofendida e tentar atrasar mais ainda o Pais, pois agora resolveu que o dito projecto não deve avançar pois as tais pessoas do PSD e outras tantas pensam ter alternativas ao local!Não são uma vergonha estes politicos?
Haja vergonha meus senhores,não façam birras,respeitem a nossa inteligência!
Marques Mendes, o tal que parece saido da escola primária tal o infantilismo das suas atitudes e birrinhas de politico barato...
Faço aqui uma proposta no sentido do mesmo ir viver para a Madeira de maneira a perpetuar o circo lá existente já que o Palhaço de serviço vai-se reformar a
breve prazo!
Já agora aproveite a viagem de low coast e leve também Paulo Portas,carmona Rodrigues,Celeste Cardona,Santana Lopes,Helena Roseta,MªJosé Nogueira Pinto,Ferro Rodrigues,Valentim loureiro,filhos e amigos,Marco Paulo,Carlos Cruz,João Vale e Azevedo,Pinto da costa,João Pinto,Fátima Lopes(a estilista),Sousa Cintra,José Carlos Malato,Herman José,Joaquim Monchique,Maria Vieira,Todos os cabeleireiros da moda,Augustus,Júlio Quaresma,Fiona,Lili caneças,Teresa Caeiro,Alberto Santos,Júlio Isidro,Catarina Furtado,Maestro Vitorino D'Almeida,José MªCarrilho,Barbara Guimarães,D.Duarte,Carolina Salgado,Pedro Miguel Ramos,Fernanda Serrano,Isabel do Carmo,Nuno,Gonçalo e Vasco da Câmara Pereira,Fátima Felgueiras,todos presidentes câmaras actuais,Maria de Belém,Manuel Monteiro,Fátima Campos Ferreira,Cavaco Silva, Mariano Gago e mais, muitos mais !!
"OH YES!"
domingo, 20 de maio de 2007
Fernando Pessoa (álvaro de campos)
TABACARIA
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
Á parte isso,tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguem sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessivel a todos os pensamentos,
Real,impossivelmente real,certa,desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido,como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido,como se estivesse para morrer,
E se não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida,tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio,e uma partida apitada
D e dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua,como coisa real por dentro.
E à sensação de que tudo é sonho,como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum,talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos,
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual á outra.
Saio da janela,sento-me numa cadeira.Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei,eu que não sei o que sou?
Ser o que penso?Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará,quem sabe?,nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não,não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu,que não tenho nenhuma certeza,sou mais certo ou menos certo?
Não,nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas-,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquista-lo,ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre,o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma
parede sem porta
E cantou a cantiga do infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim?Não,nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
o seu Sol,a sua chuva,o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier,ou tiver que vir,ou não venha,
Escravos cardiacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saimos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a via láctea e o indefinido.
(Come chocolates,pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafisica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come,pequena suja,come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e , ao tirar o papel da prata,que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão,como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o impossivel.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou,sem rol,para o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu,que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega,concebida como estátua que fosse viva,
Ou patricia romana,impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores,gentilissima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito,decotada e longinqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno-não concebo bem o quê-,
Tudo isso,seja o que for,que sejas,se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espiritos invocam espiritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas,vejo os passeios,vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro,como tudo.)
Vvi,estudei,amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não invejo só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso:talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possivel fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas,como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado,já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado।
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria
chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a lingua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossivel tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superficie,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria(para comprar tabaco?),
E a realidade plausivel cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico,convencido,humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escreve-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo,num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafisica é uma consequência de estar mal disposto
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder,continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto,levanto-me da cadeira.Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah,conheço-o: è o Esteves sem metafisica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus,gritei-lhe adeus ò Esteves!,e o universo
Reconstrui-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
sábado, 12 de maio de 2007
Crónica do amanhecer!
Estará o mundo ás avessas? Seja como for tudo é questão de medida,bem entendido.
Se até os pseudo-neo qualquer coisa se põem a falar como a gente da sociedade...aonde iremos nós parar!
Não quero generalizar com precipitação,mas o snobismo democratizou-se!
"...O snob,tal como o francês médio,tem a particularidade de se encontrar em toda a parte e de não se encontrar em parte nenhuma."
O desejo de parecer é mais forte que o desejo de ser.Desfilam tias carunchosas, velhos trastes esquecidos,realizadores com falta de pelicula,escritoras de ar, betos,cabeleireiros efeminados promovidos à categoria de vedeta(mas praticamente gajas),putas,modelos e toda uma plateia de ridiculas extasiadas.
A tenda está montada, que comece o espectáculo!
"Oh Yes!"

